" Que a água seja refrescante; o caminho seja suave; que a casa seja hospitaleira; que o mensageiro conduza em paz a palavra". ." (Benção Iorubá)

sábado, 19 de novembro de 2011

Projeto A Alma Não Tem Cor - ano de 2007

Projeto: A  Alma Não tem Cor

I D E N T I F I C A Ç Ã O:

Público alvo: Alunos dos 1os, 2os e 3os anos do Ensino Médio
Período de Realização: 4º bimestre de 2007
Local: EEM Liceu de Acaraú Maria Alice Ramos Gomes
Área: Ciências Humanas
Professores Responsáveis: João Roberto e Socorro Brandão
Professores Mediadores: Amadeus Pongitori, Alex, Francisco Luís, Liduína Fonteles.
Tema: Conhecendo e valorizando a cultura afro-brasileira.
Custo: Não se aplica.

J U S T I  F I C A T I V A

Historicamente, registra-se dificuldade para se lidar com a temática do preconceito e da discriminação racial/étnica. Em nossa sociedade, muitas vezes, há manifestações de racismo, discriminação social e étnica, ainda que de maneira involuntária ou inconsciente. Essas atitudes representam a violação dos direitos, trazendo consigo obstáculos ao processo de desenvolvimento social ou psicológico, seja pelo sofrimento ou pelo constrangimento a que as pessoas se vêem expostas.
Movimentos sociais vinculados a diferentes comunidades étnicas, desenvolveram uma história de resistência a padrões culturais que estabeleciam e sedimentavam injustiças. Gradativamente conquistou-se uma legislação antidiscriminatória, culminando com o estabelecimento, na constituição federal de 1988, da discriminação racial como crime. Mas ainda há mecanismos de proteção e de promoção de identidades étnicas, como a garantia, a todos, do pleno exercício dos direitos culturais, assim como apoio e incentivo à valorização e difusão das manifestações culturais.
A aplicação e o aperfeiçoamento da legislação são decisivos, mas insuficientes. Para construir uma sociedade justa, livre e fraterna, o processo educacional terá de tratar do campo ético, de como se desenvolvem, no cotidiano,  atitudes e valores voltados para a formação de novos comportamentos, novos vínculos em relação àqueles que historicamente foram alvo de injustiças.
Reconhecer essa complexidade que envolve a problemática social, cultural e étnica é o primeiro passo. A escola tem um papel fundamental a desempenhar nesse processo, porque é um espaço em que pode se dar rumo à convivência democrática entre estudantes de diferentes origens, com costumes e dogmas religiosos diferentes daqueles que cada um conhece, com visões de mundo diversas daquela que compartilha em família. Acima de tudo, a escola deve posicionar-se criticamente em relação a estes fatos, mediante informações corretas, cooperando no esforço histórico de superação do racismo e da discriminação.
Nesse contexto, vimos a necessidade de vivenciar a prática do respeito às diferenças culturais e étnicas em nossa escola, reconhecendo que valorizar a cultura afro-brasileira e suas manifestações é atuar sobre os mecanismos de discriminação e exclusão, entraves à plenitude da cidadania para todos.

O B J E T I V O     G E R A L

§  Reconhecer e valorizar as especificidades culturais dos diversos grupos afro-brasileiros, ressaltando especificamente os grupos locais e abordando aspectos diversos como a inserção no mercado de trabalho, manifestações artísticas e religiosas, propondo ampla discussão sobre a discriminação social e racial em contexto local e nacional.
 
O B J E T I V O S    E S P E C Í F I C O S

  • Praticar o respeito às diferenças culturais e étnicas;
  • Perceber que a sociedade brasileira é o resultado da miscigenação de variadas culturas;
  • Entender a origem da discriminação social dos negros e o mito da democracia racial;
  • Estabelecer as alterações nos padrões de desigualdades entre negros e brancos no país;
  • Desenvolver uma atitude de empatia e solidariedade para com aqueles que sofrem discriminação;
  • Analisar com discernimento as atitudes e situações fomentadoras de discriminação e injustiça social;
  • Compreender a desigualdade social como um problema de todos e como uma realidade passível de mudanças;
  • Conhecer a diversidade do patrimônio etnocultural brasileiro, cultivando atitude de respeito para com pessoas e grupos que a compõem;
  • Valorizar as manifestações afro-brasileiras no contexto local e nacional;
  • Conhecer e valorizar a produção artística como expressão da identidade etnocultural.
 D I S C I P L I N A S

  • História
  • Geografia
  • Filosofia
  • Sociologia
 CONTEÚDOS CONTEMPLADOS/ DISCIPLINAS

  • Cultura afro-brasileira/ Sociologia
  • Manifestações da cultura afro-brasileira/ Sociologia
  • Racismo: manifestações atuais / Sociologia
  • Movimentos negros no Brasil / História
  • A Abolição / História
  • O escravismo colonial / História
  • Conceito / preconceito de RAÇA / Filosofia
  • África: as origens da escravidão / Geografia
  • Distribuição geográfica dos negros e afro-descendentes no Brasil / Geografia
 M E T O D O L O G I A

§  Estudo e reflexão a partir de textos e imagens
§  Explanação Oral
§  Debates
§  Pesquisa
§  Produção de textos
§  Elaboração de murais temáticos
§  Produção de números artísticos: dança, música, artes visuais e teatro
§  Produção de documentários
§  Exposição dos trabalhos produzidos: culminância – 20 de novembro de 2007

 P R O G R A M A Ç Ã O    D A    C U L M I N Â N C I A:    20 de novembro de 2007

¹  ABERTURA: músicas de percussão
¹  Acolhida aos alunos, comunidade escolar, local  e demais convidados
¹  Palavra da direção
¹  Apresentação do Grupo Taianakã: hino nacional e do município no ritmo de percussão
¹  Explanação sobre a idealização do projeto - coordenação pedagógica
¹  Leitura da Justificativa do Projeto – professor da área de Humanas
¹  Apresentação dos trabalhos produzidos durante o desenvolvimento do projeto:
  • Clipe com imagens de discriminação racial e/ou social ( trilha sonora: Gabriel: o Pensador)
  • Explanação sobre o dia da “consciência negra”
  • Documentário apresentado e produzido pelos alunos sobre discriminação em nossa cidade
  • Dança mostrando o encontro das culturas  africana, européia e indígena
  • Flash – os números da discriminação no Brasil e no mundo
  • Palestra sobre o etnocentrismo e o conceito/preconceito de raça
  • Desfile de roupas e acessórios afro-brasileiros
  • Flash – os números da discriminação no Brasil e no mundo
  • Declamação de poesias de autores consagrados e/ou produzidas pelos  alunos
  • Apresentação de danças de origem africana
- Reggae
- Samba
- carimbó
- lambada
- maxixe
- capoeira

  • Exposição dos murais temáticos produzidos:
- Receitas da culinária afro-brasileira
- Afro-descendentes famosos: nos esportes, na política, na literatura, no teatro, na televisão e na música
- Religiões afro-brasileiras
- Palavras,  expressões e costumes  de origem africana
- Manisfestações culturais – danças/instrumentos

  • TEATRO: A alma não tem cor
  • Interpretação de músicas: alunos, professores e convidados
  • Divulgação e premiação das melhores produções textuais
  • Desfile “Beleza negra”: masculino e feminino 
  • Encerramento: músicas
 A V A L I A Ç Ã O

Critérios:
  • Participação e envolvimento nos debates;
  • Capacidade de síntese das informações pesquisadas;
  • Criatividade e responsabilidade nas produções artísticas, literárias, na realização das pesquisas e na confecção dos painéis;
  • Participação coletiva na organização da culminância.
 Ao longo do desenvolvimento do projeto os alunos serão constantemente observados de forma contínua, processual e sistemática baseado nos critérios avaliativos dispostos nas atividades desenvolvidas e através de instrumental na sala.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Herança Cultural Negra

Fonte da imagem: Disponibilizada no Google Imagens

A contribuição cultural de escravos-negros é enorme. Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas.
Influência religiosa
No campo religioso, a contribuição negra é inestimável, principalmente porque os africanos, ao invés de se isolarem, aprenderam a conviver com outros setores da sociedade.
Favoreceu esta convivência, a mentalidade comum a ambos os grupos étnicos - brancos e negros -, de que a prática religiosa estava voltada para a satisfação de algum desejo material ou ideal. As promessas a santos, pagas com o sacrifício da missa, apresentavam semelhanças com os pedidos feitos aos deuses e espíritos africanos em troca de oferendas de diversos tipos.
Mas, nos primeiros séculos de sua existência no Brasil, os africanos não tiveram liberdade para praticar os seus cultos religiosos. No período colonial, a religião negra era vista como arte do Diabo; no Brasil-Império, como desordem pública e atentado contra a civilização.
Assim, autoridades coloniais, imperiais e provinciais, senhores, padres e policiais se dividiram entre tolerar e reprimir a prática de seus cultos religiosos.
A tolerância com os batuques religiosos, entretanto, devia-se à conveniência política: era mantida mais como um antídoto à ameaça que a sua proibição representava, do que por aceitação das diferenças culturais.
Outras manifestações culturais negras também foram alvo da repressão. Estão neste caso o samba, revira, capoeira, entrudo e lundú negros.
Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil republicano predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Este ideal, portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acesso a certas profissões, as "profissões de branco" (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, e muitas outras formas de rejeição ao negro.
Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afrobrasileira surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi fechada em 1937 pelo Estado Novo.
O samba e a capoeira
Durante o período da revolução de 30, os próprios núcleos de cultura negra se movimentaram para ganhar espaço. A criação das escolas de samba no final dos anos vinte já representara um passo importante nessa direção. Elas, que durante a República Velha foram sistematicamente afastadas de participação do desfile oficial do carnaval carioca, dominado pelas grandes sociedades carnavalescas, terminaram sendo plenamente aceitas posteriormente.
No rastro do samba, a capoeira e as religiões afrobrasileiras também ganharam terreno. Antes considerada atividade de marginais, a capoeira seria alçada a autêntico esporte nacional, para o que muito contribuiu a atuação do baiano Mestre Bimba, criador da chamada capoeira regional. Tal como os sambistas alojaram o samba em "escolas", Bimba abrigaria a capoeira em "academias", que aos poucos passaram a ser freqüentadas pelos filhos da classe média baiana, inclusive muitos estudantes universitários.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Influência africana no processo de formação da Cultura Afro-Brasileira

 Fonte da imagem: Disponibilizada no Google Imagens

Ao longo do período colonial e monárquico brasileiro foi grande o contingente de escravos africanos no Brasil, visto que, constituía a maior mão - de - obra do período. A contribuição desses escravos foi além da participação econômica, uma vez que, foram inserindo suas práticas, seus costumes e seus rituais religiosos na sociedade Brasileira contribuindo, dessa forma para uma formação cultural peculiar no Brasil. Importante, ressaltar que as práticas desses escravos africanos eram diferenciadas, pois eles eram oriundos de pontos diferentes do continente africano. Durante o período colonial, quase nada se sabia sobre a origem étnica dos africanos traficados para o Brasil. Porém, ao longo do período passou-se a designá-los a partir da região ou porto de embarque, ou seja, das áreas de procedência.
Os povos bantos predominaram entre os escravos traficados para o Brasil desde o século XVII, concentrando-se na região sudeste, mas espalhados por toda a parte, inclusive na Bahia. (...) Os Bantosoriundos do Congo eram chamados de congo, muxicongo ,loango, cabina, monjolo, ao passo que os de Angola o eram de massangana, cassange, loanda, rebolo, cabundá, quissamã, embaca,benguela. 
Essa diversidade fez com os Bantos apresentassem uma especificidade cultural, notadamente na lingüística, nos costumes e, principalmente, no campo religioso, que mesclou aspectos do cristianismo com suas tradições religiosas.
Assim, a influência africana foi se tornando visível em vários seguimentos da sociedade colonial, tais como culinária, práticas religiosas, danças, dentre outros valores culturais que foram incorporados pela população brasileira.
Quantas "mães-pretas", amas de leite, negras cozinheiras e quitandeiras influenciaram crianças e adultos brancos (negros e mestiços também), no campo e nas áreas urbanas, com suas histórias, com suas memórias, com suas práticas religiosas, seus hábitos e seus conhecimentos técnicos? Medos, verdades, cuidados, forma de organização social e sentimentos, senso do que é certo e do que é errado, valores culturais, escolhas gastronômicas, indumentárias e linguagem, tudo isso conformou-se no contato cotidiano desenvolvido entre brancos, negros, indígenas e mestiços na Colônia.
 Apesar da origem diversa dos escravos africanos, dois grupos se destacaram no Brasil: os Bantos e os Sudaneses. Os bantos foram assim, classificados devido à relativa unidade lingüística dos africanos oriundos de Angola, Congo e Moçambique.
a influência africana foi além cozinha e da mesa, chegando até a cama, pois era comum a iniciação sexual do "senhorzinho" branco ocorrer com uma escrava.Comum também era a prática de feitiços sexuais e afrodisíacos pelos escravos, pois foi na "perícia e no preparo de feitiços sexuais e afrodisíacos que deu tanto prestigio a escravos macumbeiros juntos a senhores brancos já velhos e gastos.
A influência do escravo negro na vida sexual da família brasileira é destacada por, Freyre  quando afirma:  “O grosso das crenças e práticas da magia sexual que se desenvolveram no Brasil foram coloridas pelo intenso misticismo do negro; algumas trazidas por ele da África, outras africanas apenas na técnica, servindo-se de bichos e ervas indígenas”. Nenhuma mais característica que a feitiçaria do sapo para apressar a realização de casamentos demorados. O sapo tornou-se também, na magia sexual afro-brasileira, o protetor da mulher infiel que, para enganar o marido, basta tomar uma agulha enfiada em retrós verde, fazer com ela uma cruz no rosto do individuo adormecido e coser depois os olhos do sapo.
Também as canções de berço portuguesas, modificou-se a boca da ama negra, alterando nelas palavras; adaptando-as às condições regionais; ligando-as às crenças dos índios e às suas. Assim a velha canção "escuta, escuta menino" aqui amoleceu-se em "durma, durma, meu filhinho", passando Belém de "fonte" portuguesa, a "riacho" brasileiro. 
Observa-se que as amas apropriaram-se das canções de origem portuguesa e as recriaram, dando um toque especial, o toque africano. Isso é perceptível na "infantilização" das palavras das canções.
Deste intercâmbio cultural formou-se a cultura afro-brasileira, sendo visível à influência africana em todos os aspectos da sociedade brasileira, não sendo possível desvincular a cultura brasileira da africana, da indígena ou da européia.
A conformação e a preservação do universo cultural dão-se, então, através das aproximações e afastamentos, das interseções, da intervenção de espaços individuais e coletivos, privados e comuns, que envolvem dimensões do viver tão diversas quanto à do material, da utensilagem e das técnicas; dos costumes e tradições, das práticas e das representações culturais; da mitologia e da religião; do físico e concreto, do psicológico e imaginário; da linguagem e das escritas; da dominação, da resistência e do transito entre elas: da temporalidade e da espacialidade; das continuidades e das descontinuidades; da memória e da história. Tudo implicado com os campos da política e do econômico, provocando mutuamente contínuas reordenações e construções sociais.
Conclui-se que os africanos tiveram um papel importante no processo de formação cultural brasileiro, pois através da inserção de suas práticas e seus costumes na sociedade brasileira contribuíram para a formação de uma identidade cultural afro - brasileira.

Fragmentos da matéria  textual de  Márcio Carvalho C. Ferreira